De 14 a 29 de Março de 2019
Sim. Carece recordar, pois existe quem já tenha esquecido o medo
e suas nuvens de chumbo e choque.
Sim. Carece recordar, pois existe quem já tenha esquecido a mordaça
e seu silêncio involuntário e tenso.
Sim. Carece recordar, pois existe quem já tenha esquecido a tortura
e seus paus-de-arara e cadeiras-do-dragão.
Sim. Carece recordar, pois existe quem já tenha esquecido a dor
e sua agonia permanente e hereditária.
Sim. Carece recordar, pois existe quem já tenha esquecido a morte
e sua produção de desaparecidxs insegurxs
e de insegurxs vivxs.
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O que pode a arte em anos de chumbo?
O que podem os vaga-lumes contra a escuridão?
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Contra o revisionismo que relativiza, justifica e legitima a produção de terror operada pelo regime dos generais
Contra o esquecimento que diminui a dor provocada pelo regime dos generais
Contra o não que é silenciamento e morte
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Pelas resistências que se empreendem desde as artes
(pois a arte, se verdadeira, é um sim para o mundo)
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Sim, este é um espaço que se assume deliberadamente político
Antonio Carlos Sobrinho
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Atenção: as performances devem começar às 19hrs:30min. Após o início, em função da dinâmica de apresentação, não será permitido o acesso à sala.
Sejam bem-vindxs
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Quem somos nós?
Antonio Carlos Sobrinho
Filho de Eduardo José Monteiro Teixeira, preso pela ditadura militar duas vezes. A primeira, em 1969, em face de sua participação junto ao Movimento Estudantil em posicionamentos contra o Ato Institucional n. 5 (AI-5), quando cursava a Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Foi denunciado por Orlando Gomes, então diretor, detido e torturado durante 40 dias. Ao sair, foi impedido de continuar o curso, sendo jubilado. A segunda prisão ocorreu em 14 de abril de 1972, na região de Xambioá, divisa de Tocantins com o Pará, quando se encaminhava para a Guerrilha do Araguaia. Foi torturado por mais 45 dias e detido por cerca de um ano e meio. Soube do assassinato do irmão em sala de tortura, entre risos dos torturadores. Solto em 1973. / Sobrinho de Antonio Carlos Monteiro Teixeira, assassinado na Guerrilha do Araguaia em 1972, cujos restos mortais os familiares não tiveram ainda o direito de enterrar. / Sobrinho de Emília Augusta Monteiro Teixeira, que atuou clandestinamente pelo PCdoB durante sete anos, operacionalizando a comunicação entre aparelhos e, destes, com o comitê central do partido. / Neto de Luiza Monteiro Teixeira, falecida em 25 de junho de 2013, aos 94 anos. Sobreviveu à ditadura militar, enfrentando-a corajosamente, ainda que tantas vezes rasgada em dor por ela. Se resta alguma sorte no ato de morrer, alguma mínima alegria, pelo menos vovó não teve o desgosto de presenciar uma juventude desejante do retorno dos generais. / Torce para que, na ausência da avó, o pai e/ou a tia tenham respeitado o seu direito de enterrar o irmão. // Doutor em Literatura e Cultura pelo PPGLitCult/UFBA (2017) e Mestre em Estudo de Linguagens pelo PPGEL/UNEB (2012). Atualmente, é professor substituto da Universidade do Estado da Bahia, Campus XVI, Irecê, e professor-horista do Centro Universitário Jorge Amado – Unijorge. Qualquer dia será escritor.
Victor Guilherme Feitosa
É um rapaz que cresceu ouvindo sobre tudo que nunca seria. Verdade seja dita, nunca seria e hoje entende que não por não querer, mas porque talvez ser signifique abdicar de coisa ou coisa: lá e cá, cá e lá, bicho perambulando entre as encruzilhadas e buscando força em cada um dos grãos de areia do interior baiano, de nome Irecê. Estuda Letras, Língua Portuguesa e Literaturas na Universidade do Estado da Bahia. Apaixona-se por instantes, independentemente de como eles vão de encontro a seu corpo; se ativa seus músculos, se os esquenta, inflama e arranca nacos de, os passos serão dados de encontro a. É multi-instrumentista, performer, ator, as vezes canta, escreve teatro e, quando sente que é necessário, fecha os olhos e se torna um poeta. Para ele, escrever poesia é um exercício de se experimentar em rasgos. Escritor, diretor e ator do monólogo Eu, estreado no III Colóquio de Artes Cênicas do Piemonte Norte do Itapicuru, em Senhor do Bonfim-BA (2017). Foi selecionado algumas vezes para compor coletâneas de poetas, mas nunca participou, tendo somente um de seus poemas, Anjos, veiculado ao público através de uma exposição de poesia na V Expotudo, em Salvador-BA (2018). Anseia publicar seu primeiro livro.
| Horário | Atividade | Descrição |
|---|---|---|
| 19:30h às 22:00h | Performance e Debate | Performance: ditadura desde abril de 1964; desde abril de 1964, resistência | Debate: A arte em tempos de não – experiências, possibilidades, forças |
| 19:30h às 22:00h | Debate Temático | A língua: inglês; o dizer: brasileiro – a melancólica dor de não estar aqui como produção de resistência |
| 19:30h às 22:00h | Performance e Debate | Performance: para que lembremos dos corpos torturados e desaparecidos
Debate: as experiências traumáticas da censura e da tortura |
| 19:30h às 22:00h | Debate Temático | Lembrar para não esquecer: a produção artística pós-abertura como arquivo da ditadura |
| 19:30h às 22:00h | Performance e Debate | Performance: para lembrar que é sempre possível dizer não ao não
Debate: é proibido proibir |