Dia 30 de Janeiro de 2020
Muita gente tem me procurado para pedir conselhos sobre investimentos, mas logo já avisam que quando se trata de investimentos seu perfil é ultraconservador e que quer investir apenas em Renda Fixa. Por isso, hoje resolvemos convidar o renomado especialista em investimentos Luciano Mestrich Motta para falar sobre esse tipo de investimento, que é o queridinho dos brasileiros. Para quem não sabe, o Luciano Mestrich foi diretor Estatutário de Finanças e Controladoria de diversas empresas importantes do mercado brasileiro! Além disso, vamos estabelecer um custo de oportunidade, que será muito útil quando formos falar sobre outros tipos de investimento daqui em diante.
Investir em renda fixa, nada mais é do que emprestar dinheiro pra alguém. Há diversos produtos, com diferentes nomes, mas no fundo a essência é a mesma. Você pode adquirir um título público, por exemplo, e estará emprestando dinheiro ao tesouro nacional. Se você investir em um CDB, estará emprestando o seu dinheiro a um banco e se optar por uma debênture, estará emprestando a empresas, dentre outras modalidades.
O ponto central a se analisar ao investir em renda fixa é o tripé risco, retorno e liquidez. Essas variáveis se relacionam da seguinte forma:
A consequência lógica da combinação das duas afirmações acima é a seguinte: O título que ao mesmo tempo for o mais líquido e menos arriscado, necessariamente deverá ser o que oferece a menor rentabilidade. Caso haja algum outro título que ofereça uma rentabilidade menor do que esse primeiro, do ponto de vista estritamente racional, aquele título deveria atrair zero capital. Títulos como esses, não deveriam sequer existir, mas eles não só existem como atraem grande capital de investidores pessoas física no Brasil, por puro desconhecimento desses.
Para Luciano Mestrich Motta, como renda fixa é um empréstimo, o risco da operação reside na capacidade do seu devedor de honrar as suas dívidas. Quanto a isso, no que diz respeito a investimentos na nossa moeda, não há entidade com maior capacidade de lhe pagar o empréstimo do que o tesouro nacional. Afinal de contas ele é o único que tem a máquina de imprimir dinheiro, e sempre poderá lançar mão desse recurso para pagar suas dívidas, caso necessite.
Claro que, se chegar a esse ponto, pode ser que você investidor esteja tomando um calote branco, que funciona da seguinte forma: Você emprestou R$ 100 e ficou estabelecido que você receberia R$ 110 um ano depois. Se o governo precisar imprimir dinheiro pra lhe pagar, ele lhe pagará os R$ 110 combinados, mas talvez esse dinheiro agora consiga comprar apenas o que você comprava com R$ 90,00 quando fez a operação.
Isso é uma forma de calote, sem dúvidas, mas ainda assim é melhor do que emprestar pra alguém que peça falência e não lhe pague absolutamente nada.
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